Ao correr da pena

São crónicas escritas "ao correr da pena", e publicadas todas as 4ªs feiras no Jornal "Diário do Sul" de Évora

Nome:
Localização: Évora, Alentejo, Portugal

2004-10-27

A Évora dos Cantares e dos Restaurantes

Foi-me há tempos manifestado o desagrado de alguns restaurantes da cidade perante o facto de a Câmara Municipal contratar com o Grupo de Cantares de Évora certo tipo de serviços para lá dos cantares propriamente ditos. Ninguém contestava as audições – magníficas, como todos sabemos - do Grupo, mas o serviço de refeições servidas na sede do Grupo, a entidades que a Câmara entende bem-receber na cidade. Sentir-se-iam assim os restaurantes da cidade preteridos relativamente ao Grupo de Cantares. Argumentam os restaurantes que os encargos e responsabilidades de uns e de outro são completamente diferentes, o que resulta em preços mais competitivos pela parte do Grupo de Cantares que, além do mais, complementa musicalmente as refeições que fornece.
Em conversa com um elemento do Grupo de Cantares, percebo que também alguma razão lhe assiste, pois as mais das vezes que actua em sessões de cantares, o faz gratuitamente, também como contrapartida pela cedência das instalações que utiliza e que são propriedade da autarquia. O serviço de restauração funciona assim como compensação e financiamento do próprio grupo.
Entendo portanto que assiste razão a uns e a outros, e que, se é pertinente o aborrecimento dos restaurantes, também não é imediatamente reprovável a atitude do Grupo de Cantares. No entanto, as coisas não estão bem e por isso aqui dou nota deste desconforto que se sente na cidade. Creio que uma clarificação da situação do Grupo de Cantares e sua relação com a autarquia seria benéfica para todos, como benéfica seria a clarificação da relação da autarquia com os restaurantes a seleccionar para lhe servirem os banquetes que entenda oferecer. Creio haver lugar para tudo e todos e seguramente haverá também forma de conseguir harmonizar todos os interesses.
Suponho que tudo isto deverá ser fruto de alguma desatenção e descuido relativamente a um problema claramente menor mas o facto é que ele existe, está a causar crispação e, quanto mais se arrastar, pior será. E quanto pior, tanto mais difícil de esclarecer e resolver. É por isso que a transparência de procedimentos, que acredito fácil de conseguir, será sempre melhor. Não pretendo meter a foice em seara alheia mas, se com esta chamada de atenção contribuir para a resolução do problema, creio estar a dar o meu pequeníssimo contributo para a proclamada Évora de Excelência que todos ansiamos. É isso que pretendo.

Nota: Sou alheio ao que outros sobre mim escrevem, e entendo não dever portanto quaisquer respostas ou justificações. Acho a este propósito pertinente a reprodução de uma quadra que o meu Pai escreveu sobre si próprio na sua página do Livro de Queima das Fitas do final de curso, e que julgo poder aplicar-se aqui, salvas as devidas distâncias (e cito de memória):
“Para me definir,
Não houve quem não rabiscasse
O que dizem, agradeço,
O que sou, isso, “verá-se”!

2004-10-20

A “verdade” em televisão

Aqui há dias, em deambulação televisiva (a que se decidiu americanamente chamar zapping) tropecei num programa de que já tinha ouvido falar, e que se chama “Quinta das Celebridades”. Fiquei banzado! Parecia que se estava no meio de uma reportagem em que uma série de gente vestida para uma noite de gala tivesse tido uma avaria no carro e fosse obrigada a pernoitar numa unidade de turismo rural. Ou então que se estava no meio de uma anedota, estridentemente contada pela Júlia Pinheiro! Mas não… tratava-se de um programa de televisão, embora eu ainda não tenha conseguido definir de que tipo. Que é um drama, é. Que é aparentemente realidade também, mas só aparentemente. Porque na vida das “celebridades” tudo o que se vê é, regra geral, fabricado. A realidade normalmente não aparece. Estaremos portanto perante um drama aparente! Disseram-me que “aquilo” é um concurso e que também haverá expulsões, como no finado e popular “Big Brother”, mas isso não é relevante. Limitei-me a apreciar o que disse e fez uma série de gente supostamente conhecida pela simples razão de ter sido promovida a “celebridade”. E celebridades, neste país, são todos os que, sem razão relevante, tiveram em algum momento as câmaras fotográficas ou de televisão “em cima”. Excluem-se assim bombeiros narrando fogos, cientistas falando das suas descobertas ou quaisquer pessoas relatando algo que tenha interesse, a não ser que tenham ido a uma festa televisionada. E essa será a única razão por que poderão ser promovidos a celebridades. Divisei por lá um presidente de Câmara ultimamente celebrizado por ter invadido um campo de futebol e de seguida ter andado aos chutos ao material desportivo desse mesmo clube, a encher baldes de água. Vi também uma personagem (aparentemente andrógina) celebrizada por ter sido há tempos apanhada com uma copiosa quantidade de jóias nas sua bagagem à passagem pela Alfandega de Lisboa, a regar com esses baldes, transportados por um latagão brasileiro que acho ter-se celebrizado por fazer telenovelas. Reconheci ainda uma celebrizada e antiga companheira do actual primeiro-ministro a capinar. Entre os outros há algumas caras que já devo ter topado nalguma daquelas revistas que se encontram nos barbeiros ou nas salas de espera dos consultórios, mas como são locais a que vou pouco, a minha ignorância é grande. Porque então escolher estas “celebridades”? Pelo que vi, parece-me que se pretende provar que as “celebridades” podem ser tão ou mais ridículas que nós, cidadãos comuns. E que para se ser celebridade não é seguramente necessário ser-se um modelo na sua vida privada. E que até a forma como utilizam a língua portuguesa é por vezes lamentável. Recreativo? Educativo? Fica-me a dúvida.
Há dias vi também na televisão um ministro a vociferar contra um comentador televisivo, acusando-o de mentiras e falsidades que seriam motivadas por ódio ao primeiro-ministro. Dias depois, esse comentador estava fora da estação. Sempre julguei que uma acusação de “mentiras e falsidades” vinda de um ministro fosse o ponto de partida para inevitavelmente se mover um processo judicial em nome do esclarecimento cabal da verdade a que todos temos direito, mas aparentemente, não! Sobre a falsidade do que terá dito, fica-me a dúvida. Falou-se depois na necessidade “do contraditório” mas o que me parece é que esse comentador, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, é do mesmo partido do ministro que contra ele se abespinhou. Será isto a célebre discussão política aberta dentro deste partido? Então, o “contraditório” é entre quem? Ou de quem tem de vir? Dos partidos de oposição ao governo? Dos partidos que apoiam o governo? Do próprio governo? Mas esse tem todos os dias para contraditar os comentadores! Até (eu diria, sobretudo) pela prática. Então, mais uma vez, contraditar como? Fica-me a dúvida. Mas lá falta de contradição não há! Se os ministros usam esse princípio relativamente ao Primeiro-ministro, dizendo hoje (aparentemente) o contrário do que ele disse ontem, ou a vice-versa, ou se este governo, indigitado porque seria a sequência do anterior, contradiz a austeridade que o outro julgava essencial (até no que se refere às pontes dos feriados), acho que há contradição suficiente.
Tudo isto é de facto contraditório, e tudo parecem ser jogos televisivos. Tão contraditório me parece ser ver uma senhora ou um senhor vestidos “para matar” a capinar, como assistir às declarações ministeriais. A importância é que é diferente. Mas, de facto, a televisão tudo homogeneíza e, a certa altura, temos tendência para dar idêntico valor a uns e outros. E é aí que as coisas passam a ser preocupantes!

Nota: A semana passada tive honras de uma réplica à minha crónica 172 do senhor Carlos do Carmo Carapinha (C do CC), que não tenho o prazer de conhecer. Fiquei satisfeito de, só ao fim de 172 crónicas ter discordado de mim o suficiente para se ter dado ao trabalho de o expressar! Fica-me a ideia de C do CC não ter entendido o que eu queria dizer. Não está contudo sozinho porque também eu não consegui entender o que de mim pretendia C do CC, embora tenha relido o seu texto com cuidado. Estamos quites.

2004-10-13

Évora numa semana

É quase irresistível reflectir aqui sobre a situação política nacional. Não que ela seja rica, no sentido normal do termo, mas porque há muito que não se sentia tanta confusão. Falo por mim. Para onde quer que olhe, vejo coisas que não me parecem bem ou, pelo menos, que não compreendo. Mas elas são tantas e tão graves que temo pegar numa e preterir outra eventualmente mais gravosa. A realidade está tão mutante que o melhor é deixar passar aquilo que parece ser um “tsunami” passageiro e ver como as coisas ficam depois de ele se retirar.
Decidi portanto falar hoje sobre Évora. Com os atrasos nos começos do ano escolar e do Outono, ainda não nos demos bem conta da verdadeira dimensão do marasmo que pode vir a ser a cidade de Évora, quando chegar o tempo de chuva. A quantidade de pessoas a querer entrar e sair da cidade intramuros é exorbitante e a circulação de automóveis corresponde-lhe. A população cresceu, a cidade cresceu e a necessidade de mobilidade das pessoas também cresceu. A cidade modorrenta dos anos setenta ou até dos anos oitenta já lá vai e, se a industria não tem trazido até agora novas gentes, a universidade encarregou-se de o fazer. E estas gentes universitárias são gentes buliçosas, frenéticas e cheias de vida. Circulam pela cidade como sangue jovem e vivo, percorrendo-lhe todo o emaranhado capilar de ruas e vielas, fazendo o coração bater-lhe mais forte. E a cidade começa a ter dificuldade em as acompanhar. E pergunta-se: será que é Évora que tem que acompanhar essa mudança, ou é essa mudança que tem de respeitar Évora? Cremos que terá que ser um movimento das duas partes, biunívoco. Sabemos que Évora é cidade há mais de dois mil anos, e já teve épocas em que albergava dentro das muralhas mais habitantes que hoje. Então porque é que a cidade hoje nos parece pequena de dia mas quase deserta de noite? Porque o espaço ocupado por cada um de nós é hoje muito maior que em qualquer outro momento da sua história. Antes, trabalhava-se essencialmente em casa, utilizando espaços diminutos para desenvolver esse trabalho. Hoje, quase ninguém trabalha em casa e duplica-se assim o espaço ocupado, a que ainda há que somar o espaço de rua utilizado no percurso casa/emprego. A vida social, que antes pouco mais exigia que os jardins, as igrejas e os seus adros (e naturalmente o Rossio de S. Brás), hoje exige espaços que nunca antes existiram: repartições públicas, cinemas, cafés, associações recreativas, ginásios, piscinas, etc., etc., etc. Cada um de nós ocupa hoje um espaço muitíssimo maior que nunca antes, a que ainda há que somar o espaço ocupado pelo automóvel particular em movimento e estacionado (e que é, de facto, a parte de leão). E Évora não foi preparada para ele! Vistas assim as coisas, Évora nem se tem portado mal! Vejamos: imaginemos os mais de 2000 anos de Évora representados por uma semana… Nesse caso, os automóveis circulam em Portugal há menos de oito horas (100 anos) e os engarrafamentos em Évora só existem há mais ou menos quarenta minutos (10 anos)! Nada mau, sobretudo se se levar em linha de conta que o número de carros foi multiplicado por sete nas últimas duas horas e meia (30 anos)! É como ir ao cinema e, ao sair, encontrar sete carros por cada um que víamos ao entrar! Se imaginarmos que Évora nasceu há uma semana (os tais 2000 anos), isto é, na quinta-feira passada, tudo o que aqui narrei estaria a passar-se hoje! Até ontem Évora cresceu lentamente e quase nada se passou!
Os carros e a cidade extramuros são portanto, a grande novidade, e assim terão de ser tratados. Não quero com isto dizer que os carros devam ser banidos da cidade intramuros, ou que o Centro Histórico não deva ter acesso automóvel. Nada disso. Mas haverá que corrigir um erro das “últimas horas” e despejar o grosso do trânsito automóvel para as artérias da sua idade e para as quais foi feito: toda a zona extramuros. É por isso que em boa hora, eu diria, há “segundos”, foram iniciadas as carreiras de mini-autocarros pelo Centro Histórico. Esperemos que não tenham o destino fugaz e estritamente propagandístico das bicicletas, que até eram uma boa ideia. Começou-se com uma linha experimental e já se vai em duas “pra lavar e durar”, segundo se espera. Bom sinal! Mas haverá que tornar as carreiras mais visíveis, mais operacionais e muito mais extensas. Cada “segundo” conta! Compete-nos a nós eborenses tornar essas carreiras insuficientes e assim obrigar a Câmara Municipal a ampliar cada vez mais o seu número e raio de acção, até que os carros de quem mora fora do Centro Histórico acabem por ficar em casa. Se possível, que as linhas sejam de veículos pequenos (por causa das vibrações sobre o património) e não poluentes (por causa dele e por causa de nós)! Os próximos “minutos” serão cruciais. Mas não se trata só da acessibilidade ao Centro Histórico: se a cidade cresce, também têm de crescer e de se disseminar os serviços que a apoiam. E aí, haverá que distribuir equilibradamente pela cidade os serviços (públicos, camarários, universitários, etc.) de que ela necessita. Como há menos de “uma hora” fez a CCR. Então, haverá que promover a mobilidade entre os bairros. Se todos eles forem igualmente acessíveis, a cidade descentralizar-se-á naturalmente e terá um crescimento mais harmonioso. Só que, para que seja harmonioso, tudo terá que ser feito à custa do melhoramento dos transportes urbanos nos “próximos momentos”. E cada vereação dura menos de “vinte minutos”!
Mas, se tal acontecer, a cidade agradecerá, respirará de alívio, e viverá feliz pelos “próximos dias”.

2004-10-06

A discussão do futuro e o Congresso do PS

Terminou no domingo o Congresso do Partido Socialista. Após um debate de várias semanas entre os três candidatos a Secretário-geral desse partido, as eleições deram a vitória folgada a José Sócrates. Não me compete a mim, cidadão sem partido, criticar ou sequer tomar posição sobre o novo Secretário-geral. Compete-me antes saudá-lo e congratular-me com o facto de um partido essencial ao funcionamento democrático do meu país ter começado a sair de um período tão conturbado como o que o Partido Socialista viveu. Neste último fim-de-semana, consagrou-se em Congresso o novo programa do PS. A vida interna dos partidos só me interessa na medida em que se trate de partidos que, de uma forma ou de outra, interferem com a minha vida e com a vida de todos os portugueses. Assiste-me portanto, o direito a saber qual a via escolhida pelo PS para o seu e previsivelmente nosso futuro próximo. Ainda não tive acesso, como quase todos, a essas linhas directrizes, mas entendo que poderei desde já tecer alguns comentários. Entendo que o inovador processo de escolha do secretário-geral (por escrutínio directo e secreto dos militantes) deverá ser analisado (e seguido) por outros partidos. É um processo de maior transparência, que torna mais difíceis as jogadas de aparelho. Mais ainda, foi precedido de um interessante debate aberto que de alguma forma esclareceu todos -militantes e não-militantes- sobre quem é e a que se compromete o agora Secretário-geral do Partido Socialista. Uma vez que cada candidato tinha uma visão diferente sobre o posicionamento do PS no xadrez político do país, ficámos com pistas sobre o que poderá vir a ser a vida política portuguesa. É certo que, como sempre, haverá um programa político antes das eleições mas, ponhamos a mão na consciência… Quantos de nós lemos ou leremos esses programas? E quantos de nós votámos porque concordancia com esses programas? Mais ainda, quantos de nós interpelámos ou questionámos os líderes dos partidos em que votámos, por incumprimento desses mesmos programas? Um encolher desalentado dos ombros e um “No poleiro são todos iguais!”, resume o comentário e a participação cívica e política do cidadão comum. Quase nula, portanto. E cidadãos comuns, somos todos nós. É por isso que, se este debate foi rico, poderá sê-lo-á ainda mais no futuro, porque a vida democrática não se pode resumir a um debate entre candidatos de um partido. Terá que se estender a todos os partidos. E a todos os cidadãos sem partido. Porque todos somos candidatos a uma vida melhor. E enquanto tal, é isso que teremos de discutir. Não esqueço que, na ressaca da “overdose” política do 25 de Abril, muitos se retiraram ou demitiram da participação cívica e política. O próprio Mário Soares, decretando a entrada na gaveta do socialismo, contribuiu fortemente para o fim da discussão das ideias políticas pelo PS e pelo público em geral! O PCP, que se reivindica do centralismo democrático, não se abriu nunca à discussão da sociedade, aparecendo sempre com as suas posições já tomadas, arredando (pelo menos) os não-filiados da discussão. O Bloco de Esquerda, dada a sua pouca idade e dimensão, não pode (ainda) ser muito criticado. Os partidos à direita, não têm, por definição, a discussão política como método. E assim fomos entrando na era do pragmatismo, na era em que se discutia a qualidade da gestão (do governo, da autarquia, do clube) e não o seu conteúdo social e político (qual o rumo social do governo, da autarquia, do clube). Em suma, a gestão era um fim, e não um meio. E ninguém sabia ou discutia para onde esses governos (ou vereações, ou direcções clubistas) iam ou diziam que queriam ir. E depois, já nem isso! A pobreza da discussão chegou à estrita discussão do “Relatório e Contas” dessas instituições. Só como imagem, chegamos à discussão do tamanho do défice! E é urgente mudar tal estado de coisas. É por isso que creio ser cada vez mais importante que os políticos discutam e se exponham politicamente. E sejam mais do que (eventualmente bem pagos) gestores públicos. Ou seja, que sejam Políticos com “P” grande. É que a discussão tem isso de bom… quanto mais se exercita, mais se quer exercitar. E todos nós temos uma capacidade de discussão que se tem esvaziado no futebol, nos sensacionalismos que nos inventam e noutras trivialidades. É essencial que nós passemos a discutir e votar em políticas e em projectos da vida que queremos para nós e para a geração que aí está a chegar. E essa geração que hoje se prepara para vir a tomar o poder, praticamente nunca discutiu. Essa geração, em minha opinião, não precisa que lhe encerrem as discotecas administrativamente (como agora pretende o reitor da Universidade Católica, para que estudem melhor) mas que lhe criem fóruns de discussão, para definir o que quer e como o quererá. A juventude precisa de exercitar os intelectos em locais informais. E precisa de sentir liberdade intelectual nessa discussão. Se isso acontecer, todos teremos a ganhar e (pode o Sr. Reitor ficar tranquilo que) a juventude aprenderá usar como deve toda a cidade (incluindo as discotecas) e toda a sociedade (incluindo o governo). Se tal não acontecer, e a discussão persistir não existir ou em se processar exclusivamente dentro dos partidos, continuaremos com esta vida sensaborona, cinzenta e não participativa que hoje temos, que de republicana só tem o presidente. Então, não duvido que as discotecas ainda serão a melhor panaceia.
(Que bom que é poder gritar sem medo “Viva o Cinco de Outubro!)